A psicologia no desporto é uma vertente pouco explorada em Portugal e os Açores não fogem à regra, embora haja quem esteja a dar os primeiros passos na área ao nível da intervenção psicológica dos atletas nas mais diversas modalidades. Belisa Magina é uma jovem licenciada em Desporto que enveredou pela vertente psicológica do curso.
Especialista em treino mental, Belisa Magina nasceu e cresceu na ilha de São Jorge, Açores, formou-se na Escola Superior de Desporto de Rio Maior e agora exerce a actividade na ilha de São Miguel na Fundação Pauleta, no Clube de Ténis de São Miguel e no Clube Naval de Ponta Delgada, na modalidade de natação.
O desporto sempre foi uma paixão – jogou basquetebol e voleibol no Clube Desportivo Escolar das Velas – e a formação superior foi ao encontro dos seus desígnios. No regresso ao arquipélago a Fundação Pauleta abriu-lhe as portas para um período de trabalho ao abrigo do programa Estagiar L, findo o qual manteve-se em funções, recebendo também convites do Clube de Ténis de São Miguel e do Clube Naval de Ponta Delgada.
Com 26 anos, Belisa Magina é das primeiras, senão a primeira, a trabalhar a vertente psicológica no desporto. «Em São Miguel sinto que sou pioneira a realizar este trabalho», disse, um trabalho que tanto pode ser individual ou colectivo, dependendo da modalidade, mas que acima de tudo visa o reforço da capacidade mental.
«A minha função está centrada na avaliação das habilidades mentais dos atletas e tentar perceber quais os pontos fortes e menos fortes, sendo que os mais fortes podem ser aperfeiçoados e os menos fortes desenvolvidos. No fundo, trata-se de treinar as capacidades mentais e isso consegue-se porque as variáveis são perfeitamente controláveis», explicou.
Exercer funções em diferentes modalidades implica uma diversidade ao nível da área de intervenção e também é necessário que os próprios atletas estejam despertos à aprendizagem. «Eles percebem que em determinados momentos da competição não são as componentes física, técnica ou táctica que podem fazer a diferença, mas sim a capacidade mental. Os atletas que estão no percurso de alta competição ou que são jovens talentos são os que melhor assimilam a vantagem do trabalho mental e isso também tem facilitado a minha integração», disse.
Belisa Magina está no início da carreira e embora tenha objectivos mais ambiciosos já se dá por satisfeita por ter conseguido derrubar algumas barreiras. «No espaço de dois anos dei passos muito importantes porque consegui fazer da psicologia do desporto um modo de vida quando o habitual seria conciliar esta vertente com a de professora. Em termos futuros gostaria de trabalhar nas selecções porque abarcaria atletas de outras ilhas».
Fonte: RTP-A Multimédia